Queria ter uma bomba

Ela abriu os olhos lentamente. Eram olhos de ressaca. Olhos cansados e velhos.
Encarou o espelho e não reconheceu aquelas linhas tortas de expressão, que tornavam seu rosto enrugado.
Lembrou de chorar. Porque o choro, pensava ela, abrandava as emoções. As lágrimas estavam secas.
Fazia tempo que ela procurava um sentido, sem encontrar um caminho a seguir.
Não se lembrava mais quantos talentos havia desperdiçado. Mas, a cada perda, sentia o coração dilacerar.
As marcas foram se apagando com o tempo. Ela se calou.
Desenhou algumas palavras sem sentido no papel.
Da janela observou o mau tempo. A chuva que caía era densa.
E ela se sentiu cinza como o horizonte que enxergava lá fora.
Então percebeu. A razão a tornou igual aos outros. Vazia. Mesquinha. Solitária.
Acabou. Definitivamente. 

Postado por Thaína Parma às 14h25

A procura*

Um filme lindo. Tocante, emocionante demais. Difícil acreditar que seja uma história real. Sei lá, por mais que eu não aceite ou não concorde com o materialismo exagerado e a desumanidade dessa sociedade capitalista e egoísta, faço parte dela. Sou tão capitalista e egoísta quanto as outras pessoas.

Sim, eu me choco com mães e bebês na Paulista, de mãos estendidas e coração encolhido. Me apiedo delas (e não existe sentimento pior e mais estúpido do que o dó).

Muitas vezes me sinto desumana por ter sonhos de consumo, por andar num shopping e desejar uma bolsa nova ou um sapato caro. Sou fraca demais, jamais doaria tudo o que tenho em busca da “natureza selvagem.”

Ao Chris falta equilíbrio. Falta estrutura. A estrutura familiar que ele nunca teve. Ele se revoltou contra tudo, quis buscar uma resposta. Entendo isso. Mas é como o velho Franz diz: “quando perdi minha família, me entreguei ao uísque. Quando me dei conta de que isso estava me destruindo e em nada ajudava a amenizar a dor; quando me dei conta que isso não faria a minha família feliz, parei de beber no mesmo instante.”

Acho que é um pouco assim com o Chris também. Ir para o Alaska, viver na natureza, isolado do mundo “selvagem”, não traria a reflexão e a paz que ele buscava.

A viagem e busca deviam partir de dentro para fora (mas será que é preciso se isolar?). Ele rompeu com o sistema. E o que ganhou? Sim, conheceu muitas pessoas incríveis, felizes, que precisavam de pouco para viver. Mas, essas pessoas também não eram ilhas. Não eram a ilha que ele queria se tornar. Nenhum ser humano consegue viver isolado.

E será que uma nova identidade (Alex Supertramp) traz um novo sentido para a vida? Será que adianta fugir? Quebrar as regras é matar a si mesmo? Não sei. Isso tudo é louco demais para mim. É utópico, maluco.

 

O filme me impressionou. Muito. Mas não sei o que pensar direito. Acho que o mais exagerado da história era o próprio Chris. Tá, minha visão é limitada. Sou capitalista e materialista também. Acho que é por isso que nunca vou entender o sentido da vida que ele tanto quis alcançar.

 

*Sobre o filme “Na natureza selvagem.”

Postado por Thaína Parma às 00h46

Amizade abalada

A lealdade foi muda. Talvez por isso não tenha sido percebida. Enquanto o mundo se afastava, com vergonha, alguém estava lá, para segurar a sua mão. Para não te deixar cair.
A amizade foi intensa. Doação, crença. A mudança não aconteceu. Apesar das tentativas, apesar dos olhos de reprovação. A sua cegueira não permitiu que o erro fosse admitido.

Alma machucada. Bebidas, cigarros. Desvalorização do próprio corpo. Não enxerga que tudo isso é matar a si mesmo? Não vê que o caminho não é esse? Não pode ser esse.

Egoísta. Quem pensa que as dores do mundo são maiores que suas próprias dores. É egoísta e não percebe.
Não vê que o que realmente importa é você. Sou eu. É isso que forma o Nós. Um "Nós" que não precisa ser invisível. Isso não é pensar coletivamente.
É sufocar os próprios pesadelos. É se vitimizar sem se dar conta.
É ser egoísta. É não acreditar na amizade. É desperdiçar o tempo. É escolher a morte, invés da vida.
A escolha é de cada um. Somos responsáveis pela trilha que seguimos.

Postado por Thaína Parma às 01h03

Décimo oitavo andar

Talvez a queda não seja suficiente. Alguém detonou nossas boas intenções. Colocou em dúvida a nossa amizade. Disse que agimos de forma premeditada. E sugeriu uma mentira. Para amenizar o impacto. Para tentar sustentar o insustentável. Não quero mentir. Sou contra farsas e artimanhas. Não me julgo culpada. Não creio que existam culpados. Prefiro assumir a verdade. Prefiro ser transparente, como espero sempre que o mundo seja comigo. Prefiro pular. Para me libertar. Para me redimir de pecados que não cometi, de culpas que não me pertencem. De dores que me sufocam. Dessa angústia que me atordoa.

Postado por Thaína Parma às 18h54

Here I go again

Os britânicos do Whitesnake pisam pela quarta vez em solo brasileiro. A banda de hard rock, formada no fim dos anos 70 promete arrebentar os corações dos dinossauros apaixonados nesta sexta-feira fria, em São Paulo. Entre os maiores sucessos estão Is this Love, do álbum Whitesnake (1987) e a pesada Love Ain't No Stranger, do Slide It In (1984).
A história começa em 1976. Logo após deixar o Deep Purple, Davide Coverdale monta o projeto Coverdale's Whitesnake. Em 1977, o segundo álbum do projeto, "Northwinds", foi produzido por Roger Glover (do Deep Purple) e contou com a participação de Ronnie James Dio nos "backing vocals".
Em 1978 "Trouble" é considerado o primeiro disco do Whitesnake. No ano seguinte, Jon Lord (ex-Purple) junta-se a Bernie Marsden e Micky Moody (guitarras), Neil Murray (baixo), Dave Dowle (bateria) e, claro, Coverdale (vocal). Em 79 lançam Lovehunter. E, em 80 vieram "Ready An'Willing" e "Live in the heart of the city".
Em 1981, "Come and get it" marca a entrada de Ian Paice na banda. E, apesar de tantos ex-Purples, o som do Whitesnake é único e inconfundível. Baladas românticas, embora fortes, cheias de "love" em letras apaixonantes e apaixonadas.
A banda sofreu uma série de mudanças. Idas e vindas. Saem Bernie Marsden, Ian Paice e Neil Murray. Entram Cozy Powell, Mel Galley (guitarra) e Colin Hodgkinson (baixo). Crises e tempestades. Especuladores cogitaram o fim, mas isso nunca aconteceu. Com a nova formação "Saints And Sinners" conquista o público com os hits Here I go again e Crying in the rain.


S
lide it in (1984) é considerado um dos melhores discos da banda. No mesmo ano Mick Moody é substituído por John Sykes e Mel Galley (guitarra) apresenta problemas de saúde é afastado. Neil Murray (baixo) volta para o Whitesnake, enquanto Jon Lord retorna ao Deep Purple.
Em 1985, os caras tocam pela primeira vez no Brasil. Rock in Rio. Mais mudanças. Cozy Powell sai. Entra Aynsley Dunbar. Em 1987 Is this love é sucesso internacional. No Brasil vira tema de novela da Globo.
Em 1989, o disco Slip of the tongue traz mais mudanças. Com as fracas vendas, Coverdale dá um tempo nos projetos da banda. Só em 93 é lançado o Coverdale/Page, com Jimmy Page.
A segunda vez que estiveram no Brasil foi em dezembro de 1997, ano em que lançaram Restless Heart, num show promovido pela Rádio 89 FM (que antigamente, bem antigamente, tocava rock).
Em 2000, a EMI lança "The Best Of", com todos os grandes sucessos do Whitesnake. E, em 2003, estiveram pela última vez no Brasil. A turnê percorreu toda a América.
O show dessa noite promete. Apesar de dizerem que Coverdale já não é mais o mesmo. Here I go again, galera. Depois eu conto como foi, tá?

Postado por Thaína Parma às 16h29

DANDO CRÉDITO

Cerca de 2,3 milhões de carros vendidos em 2007

As facilidades de crédito impulsionam a venda de carros. Financiamentos podem aumentar o preço do carro em mais de 50%.
Edição: Mariana Oliveira
Reportagem: Lilian Milena
Pauta: Mariana Bevilacqua

Postado por Thaína Parma às 20h27

A geometria do sentir

Sinto que estou perdendo a visão.
Eu acredito na amizade. Não sei se deveria.
Parece falso dizer isso. Suposta amizade. Quando você precisou, eu não estava lá.
Seus olhos imploravam uma resposta. Mas eu não consegui traduzir a pergunta.
Quando precisei não pude contar com você. Mas esperei por isso.
Sinto que estou me tornando uma pessoa egoísta.
Não importa o que o mundo diz, sonha ou pensa. Ou espera de mim.
E o pior? Isso não me incomoda tanto quanto eu imaginei que incomodaria.
Acho que não tenho mais capacidade de enxergar como antes.
Parece que tudo está normal. É tudo normalmente assim. Tão fútil, tão distante. Tão longe de mim.
Também gosto da perfeição. Me perturbo com coisas pequenas. E isso é péssimo.
Talvez a chuva sirva para alguma coisa, no fim das contas.

Postado por Thaína Parma às 13h55

x Quem sou eu?


"Rosa.

Não, o nome dela não é Rosa, talvez se fosse ela usaria mais verde. Ou amarelo.

Ela tem dúvidas. (Mas quem não tem?) Ela desvia o olhar quando a gente olha bem dentro dos olhos dela. Desvia o olhar, abaixa a cabeça e mexe no cabelo.

Ela tem medo de crescer... eu acho.
Ela tem é medo de ser mulher. Ela quer apenas ser menina, talvez ainda brincar com uma boneca, escrever em seu diário - mesmo que seja virtual.
Ela usa rosa".

[Por Edu Guimarães]



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